📣 Na última terça-feira (11/05), Anacleta Pires da Silva, Elias Pires Belfort e Joércio Pires da Silva foram surpreendidos com mais uma intimação para comparecer novamente à delegacia do município. Há três semanas eles receberam a primeira intimação. No boletim de ocorrência foram acusados de ameaçar o capataz e comprador das fazendas “Raio de Sol” e “Meu Xodó”, ambas localizadas dentro do Território Santa Rosa dos Pretos, e que estão em fase de desapropriação, e ainda assim estão sendo comercializadas e invadidas. A venda das fazendas já desapropriadas tem sido ocasionada pela morosidade e omissão do Incra em levar adiante os processos de titulação de terras quilombolas.

🔎 Nas três intimações enviadas às lideranças não foram apresentados os motivos que as justificavam. Só no dia 29 de abril, quando Elias e Joércio compareceram à delegacia e prestaram depoimento, é que ficaram sabendo do que se tratava a denúncia: estavam sendo acusados de destruir uma ponte que dava acesso à fazenda e de ameaçarem o suposto dono da propriedade e seu capataz. Anacleta estava em compromisso profissional, em reunião da Secretaria de Educação do Estado, e não conseguiu ir à delegacia.
👮🏻🚨 Mesmo com os devidos depoimentos prestados, as lideranças foram novamente convocadas a prestar esclarecimentos de interesse da Justiça. O documento de intimação afirma que o não comparecimento é considerado crime de desobediência. No Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) n° 0801264-84.2021.8.10.0048 registrado contra as lideranças, não consta sequer a indicação de testemunhas que comprovem qualquer participação das lideranças nos atos dos quais estão sendo acusadas.
🚓🚔 Sendo coagidas pela burocracia e violência simbólica policial, as lideranças do quilombo Santa Rosa dos Pretos estão sendo criminalizadas por construir uma história de empoderamento e dignidade na luta pela demarcação de terras ancestrais. Para os quilombolas, proteger o território não é só uma luta por terras, é uma ação para manter o bem viver, a autonomia e honrar a história de mais de três séculos de luta contra a escravidão e a colonização de seus corpos-territórios.
[Continua nos comentários…]11 sem
